O contrato entre o médico e o paciente.

A medicina é, acima de tudo, um prática moral que se apóia num contrato de confiança. Esse contrato exige que os médicos sejam competentes e que atuem sempre no melhor interesse dos seus pacientes. Assim, médicos são intelectual e moralmente obrigados a agir como defensores dos enfermos sempre que o bem estar deles esteja ameaçado e a sua saúde comprometida.
 
Hoje esse contrato de confiança está sendo ameaçado. De dentro por uma legitimização cada vez maior dos interesses materialistas dos médicos, de fora por forças em busca do lucro que pressionam os médicos no papel de agentes comerciais que maximizam os lucros das empresas de saúde. Tais distorções da responsabilidade do medico degradam o relacionamento médico-paciente, o elemento central e a estrutura do atendimento clinico. Capitular frente a essas intrusões nesse relacionamento de confiança que alteram significantemente o papel do medico como clinico e defensor do doente e da saúde em geral.

Pela sua própria tradição e natureza, a medicina é uma atividade humana especial  que não pode ser exercida adequadamente sem as virtudes da humildade, honestidade, integridade intelectual, compaixão, e negação de interesses próprios excessivos. Essas características definem os médicos como membros de uma comunidade moral que se dedicam a algo mais do que seus interesses próprios.

A nossa primeira obrigação deve ser de servir as pessoas que confiam em nos quando buscam nossa ajuda. Médicos, enquanto médicos, não podem e não devem nunca se tornarem empreiteiros comerciais, porteiros ou agentes de uma politica fiscal que subverta essa confiança. Qualquer desvio dessa prioridade para o bem estar do paciente coloca-o em risco com tratamentos que podem comprometer a qualkidade do seu acesso à saúde.

Acreditamos que a profissão médica deve reafirmar a prioridade de suas obrigações para com o paciente através das sociedades médicas nacionais, estaduais e locais, acadêmicas, de pesquisa e organizações hospitalares, especialmente através da conduta pessoal. Como promotores da saude e ponto de apoio dos enfermos nós devemos estar prontos para debater, defender e promover o atendimento médico através de todos os meios éticos possíveis. Somente ao cuidar e defender nossos pacientes a integridade da nossa profissão será afirmada. Só assim nos iremos  honrar o nosso contrato de confiança com os nossos pacientes.

                              Ralph Crawshaw, MD
                              David E Rogers, MD
                              Edmund D Pellegrino. MD
                              Roger J Bulger, MD
                              George D Lundberg, MD
                              Lonnie R Bristow, MD
                              Christine K Cassel, MD
                              Jeremiah A Barondess, MD

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Dr Crawshaw tem clínica particular em Portland Ore;  Dr Rogers, que faleceu no dia 5 de dezembro de 1994, era o  Walsh McDermott University Professor of Medicine at the New York Hospital-Cornell Medical Center;  Dr Pellegrino é o  Director, Center for Clinical Bioethics, Georgetown University Medical Center, Washington, D.C.; Dr Bulger is o Presidente, Association of Academic Health Centers, Washington, D.C.;  Dr Lundberg é o Editor, JAMA, Chicago, Ill;  Dr Bristow é o Presidente- Eleito, American Medical Association, Chicago, Ill; Dr Cassel Chefe do Departamento, Department of Internal Medicine, University of Chicago, Chicago, Ill; and Dr Barondess é o Presidente, New York Academy of Medicine, New York, NY.
 
Correspondencia para  Ralph Crawshaw, MD, 2525 NW Lovejoy, Portland, OR, 97210.

Esse artigo apareceu no JAMA May 17, 1996--Vol 273, No. 19.  Está sendo reproduzido aqui sem fins lucrativos para os colegas que têm interesse em tais informações com fins educativos e de pesquisa.

Tradutor:

Dr. Márcio V. Pinheiro
Sykesville, MD
USA